O esporte é uma poderosa ferramenta de educação. Isso já foi comprovado em diversas iniciativas pelo país afora. Apesar do consenso de boa parte da sociedade, os centros de treinamentos sociais para educação de crianças jovens nas atividades esportivas ainda carecem, e muito, de apoio e recursos financeiros.

No Instituto Todos Na Luta, do Rio de Janeiro, não é diferente. O projeto iniciado há 24 anos pelo treinador de boxe, Raff Giglio, enfrenta as dificuldades para obtenção de recursos e de patrocinadores. Contudo, Raff e sua filha e também gestora do instituto, Júlia Giglio, não jogam a toalha e contam com a ajuda de empresários e apoiadores dispostos a ajudar. É o caso de Alexandre Amaral de Moura, diretor da empresa Comtex, que já foi aluno de Raff.

Alexandre acredita que a disciplina e os treinos duros do boxe foram importantes para que ele se tornasse o profissional que é hoje. “Acredito que toda prática esportiva ajuda os jovens no seu desenvolvimento pessoal”, afirma o empresário. E completa, “escolhi o boxe, primeiro, porque eu gostava e, segundo, porque o Raff me fez ver que somente com a disciplina diária dos treinos é que a gente consegue chegar onde quer”. Hoje, Alexandre apoia o Instituto Todos na Luta adquirindo materiais e equipamentos. “Sou grato ao boxe, esta ajuda é só uma maneira de agradecer e dar oportunidade a outros jovens”, conclui.

Recentemente, o Instituto buscou parcerias para um intercâmbio bem interessante entre Brasil e Itália. A iniciativa começou com o treinador de boxe da cidade de Rio Claro, Breno Macedo e sua escola de boxe, a M.M. Boxe. O treinador viajou para Itália, fez amigos e conheceu centros de treinamentos em várias cidades italianas. Depois, o treinador italiano Emanuele Agati veio ao Brasil e visitou as instalações de Rio Claro e do Vidigal. O desejo de trocar experiências fez nascer o projeto do intercâmbio entre os dois países.

Júlia foi a Itália por conta deste projeto e voltou bastante impressionada com o que viu. Principalmente diante das alternativas criadas a falta de recursos que pugilistas e treinadores enfrentam por lá. “Uma das coisas mais interessantes que eu vi lá é que as comunidades ou centros esportivos não esperam recursos de terceiros”, conta ela. “Eles buscam gerar os próprios recursos, se autofinanciar com venda de camisetas, eventos, comida, o que for”.

Esta gestão mais empreendedora dos italianos é que Júlia pretende implantar, aos poucos, no seu projeto. No Brasil, a realidade é diferente e não se pode descartar os recursos públicos ou privados vindos por meio de leis de incentivo ao esporte. Outra visão mais moderna e que Júlia também gostaria de implementar por aqui é uma maior integração do boxe com outros coletivos. Ela explica:”eu vi que as competições de boxe estão integradas com outras atividades como cultura, alimentação, outros esportes, show, música”. E garante, “lá o boxe não está sozinho”. Essa é realidade que ela e o Todos Na Luta pretendem mudar.