A comunidade do Vidigal já foi notícia muitas vezes na imprensa. Em momentos históricos, como na visita do Papa João Paulo II em 1980. Outros momentos muito menos nobres, como as guerras entre facções do tráfico de drogas. Mas a comunidade, situada numa das vias oceânicas mais bonitas do Rio de Janeiro, pode também ser um local de oportunidade e inclusão às praticas esportivas. Isso acontece no Instituto Todos na Luta. Um academia de boxe localizada logo na subida da avenida Pres. João Goulart, a principal do morro.

O instituto foi fundado pelo professor de boxe Raff Giglio que desde 1993 mantém o projeto de dar aulas de boxe gratuitas aos meninos e meninas da comunidade. Ao longo destes 24 anos, Raff enfrentou adversidades, tomou alguns jabs como carência de recursos e apoiadores e chegou a levar um direto, quando ficou sem lugar para dar treinamento aos seus alunos, mas nunca jogou a toalha. O Todos na Luta está no ringue.

Hoje, Raff conta com a ajuda de sua filha, Júlia Giglio, para tocar o sonho da família. Juntos, eles dividem as atividades cotidianas da academia. O Todos na Luta conta atualmente com quatro treinadores, 15 atletas de competição e 90 alunos. Esses jovens fazem parte do projeto Educação Através do Esporte cujo objetivo principal não é necessariamente formar atletas, mas sim  “passar valores inerentes ao esporte como disciplina, respeito, cooperação”, afirma Júlia. Ela completa defendendo a ideia: “este conceito de educação associada ao esporte é uma proposta que funciona. Temos exemplo do Instituto Ayrton Senna que tem o lema  ‘o esporte é uma ferramenta de educação’  “.

Apesar de terem os equipamentos para treinamento, o principal problema continua sendo a falta de recursos para que o  Todos na  Luta chegue a mais crianças e jovens. O instituto conta com  apoiadores, dentre eles, o empresário Alexandre Amaral de Moura, diretor da empresa Comtex.  Alexandre treinou com Raff quando jovem e apoia o projeto do ex-treinador e amigo.  “O boxe, como na vida, caímos e levantamos sempre com a determinação de ganhar a luta. Construímos nossas vidas dia a dia, treino a treino”, afirma Alexandre Moura.

Júlia trouxe sangue novo a gestão do Todos na Luta. Várias iniciativas estão nos projetos da jovem gestora, que é ex-atleta. Competiu pela equipe de remo do Flamengo. Ela fez recentemente uma viagem a Itália por conta do projeto de outro professor do boxe cujas ideias e sonhos são os mesmo do Todos na Luta. De lá, Júlia se impressionou como as comunidades resolvem seus problemas. “Eles não ficam esperando o poder público agir por eles. Todos correm atrás e resolvem, eles mesmos, seus problemas e suas carências”, nos conta.  E conclui, “temos que aprender bastante com eles. E eles com a gente”. Uma coisa é certa, lá no Vidigal ninguém joga a toalha, estão todos na luta.